Sentada, observo atentamente as atitudes daqueles que ocupam o outro lado.

Após alguns minutos refletindo me percebo com olhos cheios de raiva e então chego a minha conclusão, e embora não me alegre saber que estou julgando alguém, ainda assim o faço. Eu sei que não cabe a mim este feito e ainda assim insisto em permanecer com minha lista de incontáveis julgamentos sobre eles, ainda que eu saiba que talvez eles sofram tanto quanto eu.

E assim permaneço. Eu, que embora não goste de criticar as pessoas estou aqui fazendo exatamente isto, as vezes sinto como se estivesse me traindo, mas o fato é que não sou capaz de não o fazer. Sem culpá-los sinto como se estivesse concordando com tudo o que fazem.

Julgo mas tento não ofender, permito-me falhar somente internamente e ofendê-los seria demais para mim, seria permitir-me ser igual a eles  [não sou igual].

Veja bem, eu julgo mas não os ataco. Faço tudo em silêncio, afinal dizer seria ofensivo e isto simplesmente não é do meu feitio.

Eu avalio a incoerência, a arrogância, a maldade e a pior de todas as coisas: a falta de inteligência. Acredito que nenhum deles seja capaz de pensar e silenciosamente defino que são manipulados e claro são todos culpados.

De repente, ouço vozes vindo do outro lado, na verdade são gritos direcionados a mim. As vozes me acusam: Manipulada, burra, arrogante, você merece morrer! Confesso que no início pensei que os meus pensamentos haviam se transformados em palavras.

Doce ilusão!

Os gritos e as palavras agressivas estão vindo do outro lado, o tumulto aumenta rapidamente e não consigo me defender. Estou encurralada e as agressões se intensificam, começo a me sentir sufocada, impotente e fraca.

Luto para me manter consciente, não posso desmaiar aqui. Seria o fim e embora meu corpo peça para que minha mente se desligue eu insisto em permanecer em pé e consciente. Ouço as vozes, os argumentos e as risadas e percebo que o discurso é o mesmo. Eu reconheço cada argumento e então começo a perceber que o outro lado pensa exatamente igual a mim. Não, não pode ser, eu achei que eles não pensavam!

E então recebo o golpe, não vejo mais sentido em lutar. Paralisada, não consigo me recuperar.

Sozinha, manipulada e burra.

Eles são muitos e eu estou caída sobre o chão, fraca e sem vontade de lutar. Algo mudou em mim, já não vejo mais sentido em lutar, agora me sinto igual a eles.